O mundo precisa de investigadores e pesquisadores, o mundo precisa de jornalistas ávidos para contar um fato. As histórias estão em cada esquina, rua e bar por onde passamos, esperando apenas que alguém pare, escute, investigue, duvide e escreva estão apenas esperando que um jornalista se atente a ela e a divida com outras pessoas curiosas.
A curiosidade é uma das coisas que fez com que eu opta-se pelo jornalismo, desde pequena nunca contentei-me com meias respostas, sabe aquela criança que sempre pergunta, Mas porque? Bom, eu fui uma delas. A curiosidade faz com que eu pare, escute, duvide, investigue e escreva, mas sempre duvidando. Afinal, um jornalista sem curiosidade, perguntas e dúvidas e incapaz de contar uma boa história e por isso que digo: o jornalismo morreu e você é o culpado.
Desculpe parecer pessimista dizendo isso e acusando-o de ser o culpado, mas existem algumas provas que o colocam na cena do crime, meu amigo. Vamos bater um papo prometo não contar nada da nossa conversa. Quando foi a última vez que foi até a banca de jornal, conversou com o jornaleiro e comprou uma edição do dia? Voltou para casa, recostou-se em sua poltrona e junto com a sua inseparável xícara de café pois se a ler as notícias do dia? Quando foi que teve prazer de preencher as palavras cruzadas, quando completou aquela última letra e regozijou-se em saber que a missão estava cumprida? Quando foi a última vez que ficou irritado com a crítica feita ao seu time naquela matéria de abertura do caderno de esportes, que estampa a derrota bem grande, sabe? Foi no fatídico 7x1 entre Brasil e Alemanha? Ou no impeachment da presidente Dilma? Vou mais longe, talvez a última matéria que leu em um desses cadernos tenha sido anos atrás com a vitória do metalúrgico que virou presidente, ou a queda das torres gêmeas?
Bom, pare um momento e reflita quando foi a última vez que sentiu a textura do papel entre os dedos, observou a falha entre as linhas, as imagens e os títulos grandes? Se foi há mais de dez anos, você é tão culpado quando eu.
Os celulares com internet dominaram a nossa vida, tudo hoje em dia está a apenas um click, quem nunca foi fazer uma pergunta ao “dr. Google”, a plataforma que parece mágica e que possui todas as respostas, que atire a primeira pedra. E aí surge um desafio, porque comprar um jornal e ler as notícias do dia anterior, se com apenas um clique você consegue saber o que está acontecendo no japão ou o quanto a bolsa de valores italiana caiu?
O jornalismo passou a ser feito como um roteiro de cinema, com um diretor que cronometra cada parte da ação de dois minutos, em um matéria no jornal das 20h, às perseguições policiais, os assaltos a bancos e assassinatos tornaram-se filmes de ação, onde encontramos o herói e o vilão, onde é mais fácil dizer para a dona de casa que aquele ali poderia ser seu filho, sem ao menos pensar em como toda aquela narrativa ambígua afeta a vida dos envolvidos, que na verdade não são personagens, são seres humanos, com histórias e versões do fato.
O telejornalismo explora as falácias da sociedade, expõe os fatos contados apenas por um viés e amedronta a população. É isso meus caros amigos, o jornalismo está morrendo e nós somos os culpados, e basta a nós estudantes de jornalismo e profissionais da comunicação ressuscitar o morto, como aquela história cristã da páscoa, em que um homem morreu na sexta - feira, e ressuscitou no domingo, mas assim como ele, o jornalismo também possui um traidor, e não apenas um, pois somos todos nós.

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