Por Esmeralda Santos
Pauta: Luana Moraes
A imigração de senegaleses no Brasil começou no ano 2000, quando o país apresentou boas condições de trabalho para os estrangeiros. Na Rua Ministro Firmino Whitaker, no bairro do Brás, Saliou (22) é vendedor ambulante há três anos. Ele chegou ao Brasil em 2014, ao saber por terceiros que no país havia oportunidades para trabalhar.
“Acho que o mais difícil foi aprender a língua e se acostumar com as pessoas, com a cultura. Quando cheguei aqui, encontrei um amigo na rua, dormi uns dias lá, depois comecei a trabalhar e saí. Fiquei umas duas semanas, agora moro com o meu irmão”, diz.
Muitos senegaleses entram no Brasil de forma legal, com visto de turista, mas outros chegam pela fronteira com o Peru e são encaminhados à Polícia Federal, onde tiram CPF é um protocolo que dura um ano. Esses documentos são necessários para a permanência e trabalho. Enquanto o processo não é julgado pelo Conselho Nacional de Refugiados, eles buscam abrigo e ganham tempo para estabilizar a situação no país.
Além da busca por trabalho, moradia e permanência no Brasil, os senegaleses ainda enfrentam alguns problemas como indivíduos em sociedade. Na tentativa de adaptação, precisam encarar a xenofobia e o racismo. “Aconteceu de eu entrar no metrô, sentar do lado de uma pessoa, ela levantar e ficar em pé”, conta Saliou. Mesmo com as dificuldades enfrentadas, ele tenta seguir adiante. O vendedor ambulante pretende continuar no Brasil e sonha em um dia trazer sua família.
Os senegaleses ainda conseguem cultivar sua cultura em terras brasileiras. A religião de origem é muçulmana, e toda segunda-feira eles se reúnem no Centro de São Paulo em um ato religioso, a fim de reafirmar suas raízes e ancestralidade.
O evento nasceu em homenagem ao líder religioso Cheikh Ahmadou Bamba, fundador da cidade de Touba. Sua imagem tem grande importância, afinal acreditam que ele trouxe conquistas ao povo do Senegal. A festa é um símbolo da liberdade de expressão que o povo senegalês buscou por séculos.
Há mais de 40 anos a festa é realizada e no Brasil a cerimônia passou a existir a partir de 2008. A Touba acontece uma vez ao ano, especificamente em novembro. Sem dia específico, é comemorada de acordo com o calendário lunar.
A vestimenta tradicionalmente usada é a Bazin. Possui cores fortes e vivas e faz menção ao Senegal. Durante a festa, os organizadores estabelecem que tenha fartura de alimentos para todos os participantes e frequentadores. Babacar, um dos colaboradores, explica que a fartura é necessária porque em seu país de origem as mazelas da fome eram evidentes. E para que a riqueza esteja disponível para todos os convidados, os colaboradores desembolsam cerca de 200 reais cada um. De acordo com dados, aproximadamente 5 mil pessoas comparecem à festa todos os anos.
O evento é aberto para todos os públicos, totalmente gratuito, inclusive a alimentação. Os colaboradores são receptivos e acolhedores, fazendo com que a festa ocorra de forma organizada.
Compareçam à festa senegalesa Touba, a cultura é rica em história e as atrações agradam a todas as idades!
Para saber mais: https://www.facebook.com/leepdiamtv/?ti=as
Multimídia: Felipe Hiroshi
Editora: Emilly Rosa
Revisora: Sandra Cotrim
Fotos: Nathani Ribeiro
Rede Social: Elina Azevedo

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